Entre os dias 4 a 8 de agosto de 2015, o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Xingu realizou o “Curso de Capacitação de Multiplicadores na Prevenção e Tratamento da Cárie Dentária em Populações Indígenas”, nas dependências do auditório da Câmara Municipal de Canarana, Mato Grosso (MT), com a participação da antropóloga Karine Assumpção (SPDM/Saúde Indígena), do cirurgião dentista Pablo Lemos (Projeto Xingu/UNIFESP) e o Prof. Dr. Wilson Mestriner Júnior da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP-USP).

O curso foi voltado aos cirurgiões dentistas e auxiliares de saúde bucal do DSEI Xingu e DSEI Kayapó MT. Na atividade foram abordados os seguintes temas: Contextualização do Tratamento Restaurador Atraumático (ART) dentro do Modelo de Atenção à Saúde; Antropologia aplicada à saúde bucal – etnografia, representações sociais e cosmologia (A doença como processo sociocultural: profissionais de saúde e a dimensão antropológica); Cariologia; Odontologia de Mínima Intervenção; Cimento de Ionômero de Vidro (CIV); Selantes; Restaurações. Houve também prática laboratorial e clínica de ART na Casa de Saúde do Índio, CASAI Canarana.

Durante o curso foi trabalhada a interação entre os profissionais e a importância do trabalho compartilhado com os indígenas, que nos esclareceram as percepções de seu povo sobre o dente e sobre cuidados tradicionais com a boca (higiene).

A SPDM realizou nos dias 19, 21 e 26 de maio os Processos Seletivos Simplificados n° 016, 017 e 018/2015, nos municípios de Rondonópolis, Tangará da Serra e Cuiabá (MT) para as vagas abertas de auxiliares de saúde bucal. Esse processo teve divulgação regionalizada com o objetivo de garantir a participação das populações indígenas com as quais o profissional contratado irá trabalhar, visto que o DSEI Cuiabá abrange a atenção à saúde de dez etnias diferentes. Também cuidamos para que os profissionais indígenas que moram em aldeias, e que não possuem acesso fácil à internet, conseguissem se inscrever. A comissão, composta por representantes da SPDM, do DSEI Cuiabá e dos conselhos locais de saúde (CONDISI), avaliou os conhecimentos técnicos dos candidatos através de uma prova classificatória, levando em consideração as especificidades culturais e as disponibilidades dos candidatos.

Processo seletivo em Tangará da Serra (MT)

A SPDM, em parceria com o DSEI Xingu e o Projeto Xingu UNIFESP, realizou no período de 08 a 12 de dezembro, em Canarana/MT, uma capacitação em Imunização voltada para a equipe de saúde do DSEI, com enfoque em populações indígenas. Na atividade foram abordados os seguintes temas: história das vacinas; imunologia básica; rede de frio e suas especificidades nas áreas indígenas; reações adversas pós-vacinação; técnicas de aplicação de vacina; planejamento; avaliação e monitoramento do Programa de Imunização e aspectos culturais envolvidos na imunização.

Entre os profissionais capacitados participaram enfermeiros, técnicos de enfermagem, indígenas e não indígenas, e Agentes Indígenas de Saúde (AIS). Este momento possibilitou uma maior interação entre os profissionais dos polos, CASAI e NASI do DSEI, que estabeleceram juntos estratégias para o enfrentamento dos problemas e novos planejamentos, além de um mergulho na história da imunização dos povos indígenas do Xingu, contada pela liderança Mairawê Kaiabi.

No período de 09 a 13 de março de 2015, representantes do Setor de Acompanhamento e Aproximação de Profissionais e Comunidades da SPDM/Saúde Indígena estiveram na Terra Indígena Merure, acompanhando a equipe técnica do DSEI Cuiabá e a Equipe Multidisciplinar de Saúde Indígena (EMSI) local na execução do “plano de ação área Merure”. Nessa ocasião, foram para entregues alguns materiais solicitados pelo Conselho Local de Saúde Área Merure (CLOSAM) em fevereiro, quando foi discutido a reformulação do regimento interno do conselho. Na entrega do material estiveram presentes: o cacique da Terra Indígena Merure, o secretário do CLOSAM, a SPDM e alguns profissionais indígenas de saúde

“Um povo sem o conhecimento da sua história, origem e cultura é como uma árvore sem raízes”.
Marcus M. Garvey

    Utilizaremos o dia 19 de abril, dia do índio, para enfatizar a importância de lembrar-se dos índios todos os dias, conhecendo e respeitando as centenas de populações indígenas que vivem hoje no Brasil. Isso se faz necessário porque grande parcela da população não-indígena brasileira desconhece quem são os povos que (co)existem neste país, como vivem e, principalmente, os desrespeitos graves aos direitos humanos e aos direitos dos povos indígenas que enfrentam.

   São 516 anos de extrema violência colonizadora neste continente. Foram milhões os indígenas que morreram no decorrer desta história; mortes ocasionadas por doenças, conflitos e outras violências advindas da relação com os colonizadores; e atualmente também na relação com os não-indígenas que carrega, necessariamente, a marca desta desigualdade histórica.

    Enquanto nas escolas há o ensino dos mitos gregos, pouco ou nada se fala dos mitos indígenas que, como aqueles, fazem parte de nossa história, do que somos. Sabemos dos atentados praticados contra os europeus, mas não somos informados das violências físicas (assassinatos) e mentais (ameaças, suicídio etc.) que ocorrem cotidianamente, por exemplo, no Mato Grosso do Sul, contra os Kaiowá, Terena, entre outros povos. Precisamos reagir à intolerância cultural que é praticada contra povos que insistem, há anos, que são diferentes e pensam diferente; que quando demandam terra, saúde, educação etc. não pensam que estas sejam coisas distintas, ou que seja possível trabalhar uma separada da outra, como os não-indígenas insistem em distinguir.

    Por isso, neste dia 19, dia escolhido como “dia do índio” devido o fato de diversas lideranças indígenas terem resolvido participar do Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, ocorrido no México, a partir do dia 19 de abril de 1940, ouçamos o que representantes de alguns povos têm a nos dizer: 


*Projeto de Emenda à Constituição que altera os artigos 49, 225 e 231 da Carta Magna, transferindo a competência das demarcações das terras indígenas do poder executivo (FUNAI e ministério da justiça) para o Congresso Nacional.
Fontes das imagens: Foto Alvaro Tukano - site: Think about it - Climate change / Foto David Kopenawa - site: Folha de São Paulo / Foto Sônia Guajajara - site: WWF-Brasil