Lançamento oficial do programa Educação Permanente em Saúde Indígena

No ultimo dia 06/12, aconteceu em Brasília o lançamento oficial do Projeto de Educação Permanente em Saúde Indígena (EPSI) da SPDM,
com a presença de autoridades do Ministério da Saúde, Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), Ministério Público Federal e Fundação Nacional do Índio (FUNAI)

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1º Evento
Jovem Aprendiz Indígena no Contexto Urbano

O 1º Evento Jovem Aprendiz Indígena no Contexto Urbano foi o primeiro evento organizado para celebrar a consolidação do Programa Jovem Aprendiz Indígena, criado dentro da SPDM Saúde Indígena, no ano de 2015. A proposta foi elaborada pelos indígenas Awaé Trumai, Bruno Tserebutuwe Tserenhimi'rãmi e Jibran Yopopem Patté para dar oportunidade de aprendizagem e contato com o mundo do trabalho ao jovem indígena que vive na cidade. É um componente do Programa Jovem Aprendiz, de âmbito federal, cujo objetivo é o desenvolvimento de programas de capacitação profissional de adolescentes e jovens de todo o país.

O evento aconteceu no dia 30 de novembro, no Anfiteatro da SPDM e contou com a presença de 76 pessoas, entre jovens aprendizes, lideranças indígenas e coordenadores de setores da SPDM Saúde Indígena e do Projeto Xingu da EPM/UNIFESP


Coordenadores e lideranças abriram o evento destacando questões importantes como a superação do preconceito e o retrocesso das políticas voltadas aos direitos indígenas conquistados após a Constituição de 88.

A não competitividade entre os jovens foi lembrada pela liderança Guarani, para que sejam respeitados os costumes e forma de ser indígena.

O respeito de ser humano para ser humano foi o recado final da liderança Pankararu para todos os presentes.


O Programa Jovem Aprendiz Indígena atende a 43 jovens ligados à SPDM, sendo que 4 são alocados nos escritórios da SPDM em Barra do Garças e Cuiabá (MT), o restante se distribui pelos setores correlatos à saúde indígena em São Paulo.

Tem a coordenação de Awae Trumai, jovem indígena do Xingu e o acompanhamento pedagógico de Maria José da Silva.


Seguindo as diretrizes da Convenção 169/OIT, o processo seletivo voltado para o jovem aprendiz indígena se inicia com consulta às comunidades indígenas através de reuniões com jovens e lideranças e consultas nas escolas indígenas. Espera-se com isso que esse jovem permaneça e tenha a anuência de sua comunidade e lideranças.

Como um programa inovador, os objetivos e metodologias são diferenciados. É realizado o acompanhamento da evolução do jovem em seu desenvolvimento, da autoestima na escola, na comunidade e incentivo ao respeito à sua cultura e costumes, combatendo o preconceito.

São realizadas oficinas, palestras e rodas de conversas para promover a interculturalidade e a organização para o trabalho.

A perspectiva agora é que todas as vagas oferecidas sejam preenchidas pelos jovens aprendizes indígenas em 2018, com a divulgação nos 9 Distritos conveniados a SPDM distribuídos nas regiões Norte e Centro Oeste.

Para que essa experiência pioneira tenha maior alcance foi elaborado pela SPDM e encaminhado à Câmara dos Deputados um projeto, no mesmo modelo do Jovem Aprendiz, para atender as especificidades e as realidades dos jovens indígenas.

-A atuação da SPDM/Hospital São Paulo na saúde indígena, em conjunto com a Escola Paulista de Medicina, atual UNIFESP no Parque do Xingu, acontece desde 1965, desenvolvendo trabalhos assistenciais, formação profissional, promoção de saúde e pesquisas. Atualmente a SPDM/Hospital São Paulo é parceira da Secretaria Especial de Saúde Indígena – SESAI/Ministérios da Saúde, para execução de ações complementares de atenção a saúde indígena 9 Distritos Sanitários Especiais Indígenas.

Estão sendo realizadas as primeiras oficinas com os jovens aprendizes indígenas e refugiados, no escritório local da SPDM, sob a coordenação Awaé Trumai Waura e Sonia Maria Lofredo (Tuka), cabe destacar a participação da jovem Josicléa Maria dos Santos Pankararu estudante do curso de Pedagogia como assistente das atividades.

Os objetivos foram traçados em uma construção coletiva e tem a função de estimular o controle social e um maior envolvimento dos jovens com suas comunidades, capacitando-os para elaborar projetos de intervenção social e direcionando-os para cursos preparatórios pré-vestibulares e universidades. Ao desenvolver capacidades, habilidades e potencialidades, contribuímos com o aprimoramento pessoal e profissional dos jovens no que tange sua estima, autonomia e liderança, elementos importantes para a inserção no mercado de trabalho.

Todos os objetivos do projeto atendem, ainda que de forma parcial, as necessidades dos jovens.
É a partir delas que se definem as estratégias de atuação.

Josicléa auxilia os colegas a pensar os objetivos do grupo

O uso das dinâmicas é um pretexto para rodas de conversas sobre projetos de vida, sonhos e fortalecimento da identidade cultural.

Arielly se apresentando ao grupo

“Eu morava no norte e andava a cavalo.” João Pedro

Antony Ribeiro (Kaimbé)

“Essa imagem me lembra as modificações sofridas na minha aldeia.”

Fortuna Mwamba Kasiama (República Democrática do Congo),

“Eu gosto de costuras, quero ser estilista.”

Awaé (Trumai Waura)

“ Eu pescava na minha aldeia”

Os jovens falam que nossa oficina é um lugar para troca de experiências, expressões de ideias, aprendizagem e união.

Construção coletiva do “Mapa contextual” onde os aprendizes eram o público alvo.

Dinâmica Passado, Presente e Futuro com as etnias, Guarani, Kaimbé, Pankararu, Trumai, Pankararé e da República Democrática do Congo.

O desenho do mapa contextual foi feito com o esboço de quatro esferas ou triângulos concêntricos. Na parte mais interna, fizemos um levantamento dos problemas que afligem os jovens, seguida respectivamente do apoio de familiares, da comunidade e de fatores sócio políticos e econômicos que os influenciam.

No mapa foram consideradas pessoas, agentes e instituições como UBS, SPDM, CONDISI, além de temas como desemprego, violência, falta de transporte, áreas de lazer, drogas, motivação, conhecimento, comunicação, união, experiência e diversas outras palavras de modo a favorecer o reconhecimento desses atores com quem vamos potencialmente estabelecer relações no âmbito desse seu projeto, estimulando o senso crítico para que os jovens possam trazer proposições e soluções para fatores que afetam seu desenvolvimento.

Antony Ribeiro e Júlio César montando o mapa contextual.

Josicléa e Fortuna incrementando o Mapa Contextual.

O mapa contextual elaborado nessa fase será retomado e enriquecido em outros momentos conforme for sendo desenvolvido nosso trabalho.

Participantes:

  • Antony Ribeiro (Kaimbé)
  • Arielly Pereira (Pankararé)
  • Dandara Amanda (Pankararu)
  • Ediele da Silva (Pankararu)
  • Emily dos Santos( Pankararu)
  • Estefani de Jesus (Pankararu)
  • Ewerton Lucas( Pankararé)
  • Fortuna Mwamba Kasiama (República Democrática do Congo)
  • João Pedro Vercelino (Pankararu)
  • Josicléa Maria dos Santos (Pankararu)
  • Julio Cesar da Silva Rocha (não indígena)
  • Larissa Torres( Pankararu)
  • Pedro Henrique da Silva (Pankararé)
  • Reinaldo Wera (Guarani)
  • Talita Aline (Pankararu).
  • Vitor Manoel (Pankararé).
  • Karolaine Nascimento (Pankararu)

No período de 04 a 07 de outubro de 2016 o DSEI Cuiabá realizou no Hotel Mato Grosso Águas Quentes a "I Capacitação em Urgência e Emergência em Consultório Odontológico - se Apropriando do Aqui e Agora", com a participação de 11 Cirurgiôes Dentistas e 07 Auxiliares de Saúde Bucal Indígenas.


O primeiro dia de capacitação foi marcado pela atuação da psicóloga Thelia Maria Pinheiro de Santana que deu especial atenção ao tema "Motivação", desenvolvendo atividades expositivas e dinâmicas de grupo relacionadas ao tema.

" A motivação envolve fenômenos emocionais., biológicos e sociais e é um processo responsável por iniciar, direcionar e manter comportamentos relacionados com o cumprimento de objetivos."


No segundo dia do evento foram apresentadas as metas, problemáticas, soluções e demais dados referentes a situação atual do Programa de Saúde Bucal do DSEI Cuiabá pelo RT CD Michel Luiz Harlo

No mesmo dia foi apresentado pelo CD Silmar Franco, Analista de planejamento da SPDM/São Paulo, vários assuntos relacionados a história do indigenismo no país e sua relação com a SPDM/UInifesp, envolvimento e vocação do profissional para a "missão" Saúde Indígena, além de introduzir o tema "Urgência e Emergência".


Nos dois últimos dias o foco central do encontro "Urgência e Emergência" foi aprofundado e amplamente discutido pelo médico Kléber José do Prado, que conduziu os trabalhos expondo temas diversos e relevantes que selecionou como de suma importância durante suas experiências e estudos sobre o tema.

A SPDM valoriza e apóia iniciativas como esta do DSEI Cuiabá, que contribuem no diagnóstico e planejamento de ações de saúde, tornando as equipes multidisciplinares coesas no propósito de melhorar sempre a saúde indígena. Tais iniciativas unem os profissionais pelo convivío e troca de conhecimentos pertinentes a sua e demais áreas responsáveis pela atenção a saúde primária das comunidades assistidas.

PARABÉNS A TODOS ENVOLVIDOS QUE CONTRIBUÍRAM PARA O SUCESSO DO EVENTO!